A movimentação política no Maranhão está prestes a ganhar um novo capítulo com a chegada de José Dirceu. O ex-ministro desembarca no estado com uma missão clara: apresentar um "tratado de paz" para reunificar a base do presidente Lula, hoje dividida entre o Palácio dos Leões e os aliados do ministro Flávio Dino.
O acordo, que conta com o aval e a "homologação" direta de Lula, propõe uma engenharia política complexa para evitar o racha definitivo em 2026. Confira os pontos centrais dessa proposta:
1. O Retorno à "Estaca Zero" de 2022
A espinha dorsal do acordo é o cumprimento do entendimento original: o governador Carlos Brandão deixaria o cargo para disputar o Senado, permitindo que o vice-governador Felipe Camarão (PT) assuma o governo. Com isso, Camarão chegaria à disputa de 2026 sentado na cadeira de governador, buscando a reeleição.
2. Garantias para o Grupo Palaciano
Para que Brandão aceite o movimento, as contrapartidas são robustas:
- Apoio incondicional à sua candidatura ao Senado (com a possibilidade de filiação ao PT para garantir segurança jurídica e política).
- Indicação do Vice: O grupo de Brandão indicaria o nome para compor a chapa com Felipe Camarão.
3. Manutenção de Espaços no Governo
O tratado prevê que os aliados de Brandão mantenham o controle de suas atuais secretarias até o fim de 2026. Além disso, em caso de vitória de Camarão na reeleição, o espaço do grupo palaciano no secretariado estaria garantido por contrato político.
4. Blindagem das Candidaturas Proporcionais
O acordo visa garantir que todos os candidatos a deputado (estaduais e federais) aliados de Brandão tenham as condições logísticas e políticas já costuradas para a disputa de outubro, sem retaliações.
5. A Pacificação Jurídica e Familiar
Talvez o ponto mais sensível do embate: o fim das hostilidades jurídicas. O esfacelamento do grupo lulista no estado foi acelerado por questões que envolvem o governador e seus familiares. O acordo busca baixar a temperatura dessas frentes, que muitos aliados consideram ter motivações políticas.
O Fator Orleans Brandão e Márcio Jerry
A viabilidade do plano esbarra em nomes de peso. A ideia é que o candidato a vice-governador seja Orleans Brandão. No entanto, o PT e Dirceu precisarão convencer Márcio Jerry (PCdoB), que em diálogos anteriores demonstrou resistência em ceder esse espaço específico à família Brandão.
A pergunta que fica nos bastidores é: O governador Carlos Brandão está disposto a confiar nas garantias de Brasília para entregar a caneta em 2026?







